domingo, 24 de fevereiro de 2013

Chapter 5 - The Uncommon Rendezvous



Estávamos indo para a escola normalmente, sem nenhum problema que já não tinha antes. Alguns tirando sarro, outros nem ligando... até que um conhecido da sala veio falar com nós.
            - Sério meu, aquele Kai é muito babaca! Você viu o que ele está fazendo com a Rin?
            - Não percebi... – Falei para ele.
            - A propósito, meu nome é Kanto! Você é Amy, não é?
            Ela se encolheu atrás de mim, me apertando como sempre. Isso era uma coisa que eu já estava acostumado. Nunca vi isso como uma coisa ruim. Era até boa na verdade.
            - Desculpe, ela é bem envergonhada! – Falei rindo enquanto olhava para Amy. – Mas enfim, o que ele anda fazendo com a Rin?
            Se você não sabe quem é a Rin, ela tem longos cabelos negros e é considerada uma das meninas mais bonitas da sala. Sim, Kanto é caidinho por ela faz muito tempo, mas nunca encontra o momento certo para dizer.
            - O Kai fica o TEMPO TODO dando em cima dela. Não sei o que posso fazer quanto a isso... e desculpe encher vocês, mas preciso de ajuda.
            - Hmmm... avaliando a situação e a pessoa... não acho que você deva se preocupar. Ela não vai dar bola pra alguém como ele. Mas acho que é uma boa oportunidade para vocês resolver logo essa coisa! Já faz dois anos que você gosta dela, né? O que você acha que ele deveria fazer Amy?
            - Se você sente mesmo o sentimento especial de filme de comédia romântica por ela, devia contar! Eu por exemplo, aprendi com o filme que depois de contar a pessoa fica com você! Eu tenho muita sorte de ter a pessoa que eu tenho esse sentimento junto comigo! – Falou em um sorriso.
            “AAAAH! Ela estava falando de mim mesmo? Será?”
            - Declarar? – Disse Kanto com uma cara o tanto quanto boba. – Acho que pode ser uma boa ideia... assim ela pode perceber que alguém sente algo verdadeiro por ela! Tudo bem! Vou usar esse dia para pensar o que vou dizer e amanhã quero que vocês me acompanhem para a ocasião.
            - Beleza! Vamos ajudar ele então Amy?
            - Acho que é uma boa ideia. – Disse Amy, ainda atrás de mim apertando minha cintura.
Tivemos uma boa quantidade de matérias até que chegou a última aula. Educação Física. Foi bem pesada, com bastantes exercícios. Acabamos exaustos. Eu e a Amy resolvemos descansar um pouco antes de irmos para casa. Sentamos em uma parede branca de um pequeno salão de festas perto da pista de corrida.
            - Você adora correr, né Amy? – Perguntei enquanto sentávamos e ela se se encostava em mim.
            - É muito divertido. – Falou enquanto sorria levemente.
            Mas falou apenas aquilo. Não demorou muito para que ela dormisse ali mesmo. Ficamos ali... parados enquanto o tempo passava lentamente. Estou gostando cada vez mais dela.



            Já tinha se passado meia hora quando ela se moveu e abriu os olhos lentamente.
            - Eu... dormi?
            - Sim. – E então eu ri. – Você consegue dormir em qualquer lugar! Que incrível isso. Mas eu estou com fome, vamos voltar pra casa.
            Caminhamos sem pressa até chegar em casa e almoçar. Resolvemos conversar sobre o que fazer quanto ao problema do Kanto.
            - Acho que devíamos arrastar o Kai para longe da Rin, abrindo uma brecha para o Kanto poder falar com ela livremente.
            - Não entendo muito dessas coisas, Ryu...
            Depois de um tempo conversando, resolvemos como faríamos para atrair Kai para outro lugar.
            O resto do dia passou e a manhã seguinte chegou...
            Dava para ver nos olhos de Kanto que ele estava muito nervoso. Contamos o que faríamos para ele, que parece ter concordado.
            O intervalo chegou e fomos falar com Kai.
            - Ei! Seu galinha! – Gritei para ele. – Duvido que você consiga bater em mim! Treinei minhas habilidades ninja!
            Eu estava sozinho dessa vez. Deixei Amy sozinha pela primeira vez e disse para ela tentar outra coisa caso o meu plano não desse certo.
            - Qual é a tua, seu retardado!?
            Plano bem sucedido, pude tomar um pouco de tempo. Enquanto isso, Kanto se aproximava de Rin e ela o olhou com curiosidade.
            - É... Rin...
            - Sim?
            - Eu tenho que te contar... faz muito tempo que eu sinto isso por você... eu preciso dizer... eu... faz muito tempo! Desde que eu te conheci! Eu te amo!
            Os olhos dela se arregalaram por um instante, mas depois voltou a ter sua postura normal.
            - Ah... bom... isso é bom... até mais então! – Falou de um jeito meio atrapalhado.
            Kanto ficou muito abalado. Não sabia o que fazer... não tinha dado certo. Mas Amy estava ouvindo tudo de perto e pela primeira vez tomou uma atitude. Sabia a gravidade da situação e correu atrás da Rin.
            Eu estava ocupado tomando conta de Kai. Ele tentava me golpear, mas o bom de ser subestimado é que você pega o adversário desprevenido. Pude bloquear cada soco com leveza e contra atacar, mas sem ferir muito. Apenas para ganhar tempo.
            Amy conseguiu alcançar Rin.
            - Por que você fez aquilo? – Perguntou indignada. – No filme um se declara pro outro e eles ficam juntos...
            - Então você está ajudando o Kanto?
            - Eu e o Ryu estamos...
            - Desculpe por aquilo lá trás... mas eu tenho medo. Ele não está brincando comigo assim como o Kai sempre faz?
            - Não... – Falou nervosa. Nunca tinha falado com ninguém sem eu estar por perto. Estava muito insegura. – tenho certeza que não! Ele estava muito triste com o que o Kai estava fazendo com você.
            - Tem certeza disso?
            - Sim! Ele ficou um tempão pensando no que iria falar!
            - Então preciso voltar lá.
            - Isso aí! Eu me declarei pro Ryu e até dormimos juntos!
            - O QUE??
            Ainda não acredito que ela falou aquilo... mas enfim... a Rin correu até Kanto desesperadamente.
            - KANTO!
            - Rin, desculpe... acabou não saindo o que eu queria dizer. Eu queria dizer que você é incrível! Fico alegre só em pensar que você está! – Eu e Amy chegamos ao local no mesmo momento. – Odeio pensar que aquele idiota do Kai fica brincando com você e por isso resolvi tomar uma atitude...
            - Isso basta.
            - O que?
            Ela se aproximou de Kanto e o abraçou dizendo:
            - Não devia ter saído daquele jeito... desculpe por nunca ter tido coragem para contar antes ou para ter enfrentado o fato quando tudo isso aconteceu... sabia que eu sinto o mesmo por você Kanto.
            Foi uma cena incrível de se ver. Ainda mais com a Amy ali do meu lado. Tudo deu certo no final. E não é que a Amy estava certa? Tudo o que eles precisavam era seguir um filme romântico!
            A manhã passou... Kai foi incomodar Rin novamente, mas dessa vez Kanto não deixou passar batido e, junto com Rin o espancaram até cair no chão e no fim saíram do colégio juntos, mas muito envergonhados.
            Chegamos em casa... mas algo estava diferente. Meus pais ainda não tinham saído de casa. Meu pai foi o primeiro a falar:
            - Ryuhei. Temos que conversar seriamente sobre a estadia da Amy aqui...
            Continuo contando o que se segue em outra oportunidade... Até mais!
           

Chapter 4 - The Uncommon School Day




Finalmente o grande dia chegou! O dia aonde Amy irá para a escola pela primeira vez. Logo que o despertador tocou, ela saltou da cama.
            - Calma! - Falei rindo. - Está ansiosa?
            Sua cara ficou séria, mas não de um jeito preocupante. De um jeito fofo.
            - Preciso me arrumar! Não posso ir pra escola de pijama, posso?
            Eu ri.
            - Claro que não, né!
            Então ela se virou de costas e em um movimento brusco tirou sua camisa do pijama. Me assustei com sua imprevisibilidade e virei de costas.
            - Ei ei! – Falei envergonhado. – Cuidado com o que você faz!
            Ela percebeu e então pude ver de canto de olho que ficou envergonhada.
            - Desculpe! – Falou com uma séria preocupação. – Acho que devia avisar antes... Ok! Vire para lá, vou me trocar.
            Depois de três minutos, ela disse que eu poderia virar. Foi aí que minha respiração parou. O uniforme ficou muito bem nela! Ela estava simplesmente linda. Ela ajeitou os cabelos de uma forma diferente do que o normal.


           
            - O que foi? – Perguntou sorrindo.
            - Nada! Nada! Eu também tenho que me vestir.
            Então após eu me ajeitar, descemos e tomamos café juntos. Meus pais ainda não haviam acordado. Não comemos muito, pois tanto eu quanto ela estávamos nervosos para o que viria. Mas da mesma forma, tentei manter a tranquilidade para deixar ela mais confiante.
            A escola é bem perto de casa, fomos a pé. Ao chegar ao portão gigante do colégio, Amy segurou minha mão fortemente.
            Caminhamos até a sala e quando entramos, deixou de segurar minha mão para colocar seus braços envoltos em meu tronco inteiro!
            O primeiro a falar alguma coisa foi o Kai... cabelos pretos, olhos maliciosos... nunca fui com a cara dele.
            - Opa, quem é essa gata?
            Mesmo que envergonhada e me apertando de forma sufocante, ela respondeu.
            - Eu sou humana! Posso ter sido a cachorrinha do Ryu, mas sou humana agora!
            Minha cara se transformou. Não sabia aonde me enfiar! Aquilo pegou muito mal!
            - Hahaha o que ela quis dizer é que... que... bom, não importa! Não enche o saco, Kai.
            - Olha só quem tá falando! Como que o viadinho agora tem uma cachorra vadia pra ele!
            Quando fui replicar, me surpreendi novamente. A Amy chutou o estômago daquele idiota com tanta força que fez ele se curvar para frente.
            - Já disse que não sou mais uma cachorrinha!
            Nesse meio tempo, a sala inteira estava prestando atenção na situação. Se a Shizune, uma menina certinha de cabelos rosas não tivesse aparecido no meio da confusão, Kai teria revidado para cima de mim e eu não poderia esconder mais minhas habilidades ninjas.
            - Querem parar vocês dois? Não sei qual é a sua relação com essa menina Ryuhei, mas vocês dois devem se comportar.
            - Espera aí! – Amy gritou. – Quem é você para mandar no Ryu?
            - Eu sou a representante de classe, tenha mais respeito, novata.
            O clima estava tenso, mas me surpreendi. A Amy é sempre tímida ao se relacionar com outras pessoas, mas quando deve me proteger, o faz com bravura.  Até mesmo brava era bonitinha.
            - Tudo bem classe! Vamos sentando! – Falou o professor ao chegar à sala.
            Amy sentou na minha frente, assim poderíamos ficar bem próximos para qualquer problema. Não que só ficaríamos próximos por alguma complicação... gosto da companhia da Amy.
            Então o professor começou a falar novamente:
            - Como nós podemos ver, temos uma nova aluna! Por favor, se apresente aqui na frente.
            O que você acha que ela fez? Andou até a frente da sala e disse seu nome? Não, ela virou para trás e pulou em cima de mim na carteira.
            - Ora, ora! Parece que temos um casal formado aqui.
            A sala caiu em risos. Nunca estou preparado para essas situações! Da mesma forma, cochichei para ela, que ainda estava em cima de mim:
            - Tá tudo bem, eu vou com você lá na frente.
            Ela apenas concordou com a cabeça, agarrou em meu braço e caminhamos até a frente da sala. Eu podia ver os sorrisos maliciosos em muitas pessoas.
             Chegamos e paramos ao lado da mesa do professor.
            - Meu nome é... Eu me chamo... MEU NOME É AMY E EU MORO NA CASA DO RYU!
            Minha cara se transformou em algo até cômico. Mistura de desespero, nervosismo e diarreia. A turma caiu na gargalhada e a Amy ficou sem entender nada. Então estava na hora de eu agir.
            - O que ela quis dizer é que somos vizinhos! A partir de agora nós iremos vir para a escola juntos!
            Mas a maioria não se convenceu. Pelo menos eu tentei...
            - Tudo bem, casalsinho esquisito, podem voltar para os lugares. – Falou o professor.
            Após sentar, cochichei para ela:
            - Desculpe ter que inventar isso... mas você viu como a turma age se alguém falar esse tipo de coisa... Já pensam coisas erradas.
            - Coisas erradas?
            - É... como se fosse o casal do filme...
            Aah! – Falou em um sorriso. – Mas eu gostaria que fosse como o casal do filme...
            - Silêncio turma! Prestem atenção na explicação! – Interrompeu o professor.
            A aula passou rapidamente, e quando pude perceber, já estava do intervalo.
            - Vou te levar no lugar que eu mais gosto de ficar no colégio!
            - É tão bonito quanto o parque? – Ela falou com animação.
            - Bom... tem bastante árvores e o ar é bem puro.
            Então ela se agarrou em mim novamente e eu a levei até um pequeno conjunto de árvores nos arredores do colégio, tentando evitar passar por lugares com muita gente. Lanchamos tranquilamente. Ninguém ia naquele lugar. Pudemos conversar sobre o que ela estava achando da aula. Ela disse algo que me deixou feliz:
            “É quase a mesma coisa do que quando estudamos em casa, mas prefiro estudar só com você.”
            Comemos o resto do lanche e voltamos para a sala após o sinal bater. Infelizmente nos deparamos com o Kai novamente, no corredor...
            - Então vocês estão namorando, é verdade? Por que você não deixa esse idiota recluso e fica comigo hein?
            - Qual é, Kai. Não enche o saco. – Eu falei com agressividade.
            - Fica quietinha aí.
            Então eu cochichei para a Amy:
            - Não liga para esse tipo de pessoa, Amy.
            - O que os dois estão cochichando aí? – Falou Kai avançando, enquanto eu o ignorava. – Toma essa, desgraçado.
            Infelizmente, seu soco me atingiu, me fazendo voar alguns metros. Mas não contava com o que a Amy iria fazer. Sua perna subiu rapidamente e acertou uma joelhada em cheio nas costelas de Kai.
            - Ninguém pode tocar no Ryu! Ele é só meu! Entendeu!?
            Me lembrei do que eu disse anos atrás...
            “Ninguém mexe com o Kochi! Ele é só meu!”
            Meu coração bateu mais forte com o que ela falou. Ela não se importa em bater ou gritar com ninguém, desde que me defenda... Ela é incrível.
            Kai entrou na sala com uma feição de dor e nós o seguimos pouco tempo depois. O local do machucado ainda doía, mas a aula passou rapidamente. Voltamos para casa, e após o almoço, conversamos um pouco mais sobre a escola. Perguntei se ela tinha achado ruim. Ela disse que não gostou muito, mas sabia que era necessário. Também pedi desculpas por tudo o que aconteceu. Não quero ver ela ter que se irritar por minha causa.
            Fizemos a lição de casa e treinamos um pouco mais de vídeo game no resto da tarde, e então fomos para a cama logo depois que jantamos.
            - Obrigado por tudo hoje, Amy.
            - Na verdade sou eu que devo agradecer, se você não estivesse lá, nunca que eu sairia viva daquela escola.
            Nossos rostos estavam muito próximos. Meu coração batia mais forte. Pela primeira vez em muito tempo, sinto a verdadeira felicidade. Não tinha dúvida de que ela sentia o mesmo. Ela sempre disse com inocência, mas deixou bem claro. Agora eu tinha certeza de que não foi só a Amy que mudou de forma. Meu coração também mudou. Meu coração agora tem um nome encravado nele: “Amy”.

Chapter 3 - The Uncommon Learning



Mais um dia surgiu. Devo dizer que adorei essas mudanças... Ainda nem acredito que meu desejo se realizou!
Acordei bem cedo nessa segunda feira... Amy ainda não iria para a aula. Usaremos essa semana para ensinar tudo o que ela precisa saber. Fico feliz em poder ensinar a ela como se virar no mundo. Mas do mesmo jeito... não quero que ela tenha que viver longe de nós. Sinto que meus pais estão apenas ensinando a ela viver para que ela possa ir para longe sem preocupações.  Mas de qualquer jeito, me ajeitei para ir para a escola.
Ao chegar lá, tive a mesma rotina chata de sempre: Estudar, estudar, conversar com pessoas que não dão a mínima, estudar. Estava sentindo falta da Amy. O que ela estava fazendo agora? Provavelmente ainda dormindo.
Enfim, a manhã passou lentamente enquanto eu pensava em uma forma de ensinar a Amy matéria de vários anos, até que a aula finalmente acabou.
Abri a porta de casa e recebi algo inesperado. Amy saltou em cima de mim em um abraço apertado.
- Sempre quis fazer isso! – Disse enquanto ria.
Não pude fazer nada a não ser abraçar de volta. Foi meio que um instinto.
- Oi para você também! – Falei sorrindo.
- Ah sim! – Falou enquanto me soltava. – Seus pais já saíram para trabalhar e sua irmã já foi pro colégio. Eles deixaram a nossa comida pronta ali em cima.
Concordei e fomos até a mesa. Dei uma breve explicação do que um suco é e ela novamente observou tudo com uma verdadeira concentração. Enquanto comíamos, outra pergunta surgiu em minha mente.
- Amy?
-Hm? – Olhou para mim largando os talheres em cima do prato.
- Você sempre esteve consciente enquanto era uma cachorrinha de pelúcia?
- Sim. – Falou enquanto sorria levemente. – Tanto que contei tudo o que sabia sobre você desde quando nós éramos crianças.
Corei levemente ao pensar que ela sabia tanto assim sobre mim. Mas fiquei feliz. Alguém me conhecia e me entendia.
- Por que? – Ela me perguntou.
- Ah... nada não – Falei um pouco distraído. – Só estava curioso mesmo. Fico feliz que a Amy sempre esteve aqui.
Ela riu.
- Estou com você há 14 anos, Ryu! Mas só agora pude finalmente falar com você.
- Caramba... então você tem 14 anos?
- Acredito que sim. – Disse com um sorriso.
Conversamos por mais alguns minutos até que terminamos de almoçar. Estava com preguiça de tirar o uniforme. Como o que passou a ser costume, subimos para o meu quarto e resolvemos começar a estudar para que ela pudesse ir para a escola na semana seguinte. Estudamos desde matemática básica até física em cima da grande cama. Resolvemos manter o dia de hoje para estudar exatas. Mas então depois de uma hora e meia de estudos e exercícios, o sono começou a bater. Resolvemos tirar um tempo para dormir.
O tempo passou... passou... até que eu acordei, mas fiquei com pena de me mover. Ela estava dormindo tão tranquilamente... Olhando com atenção, ela tinha até uma aparência infantil. Cativante... tanto que prendeu meu olhar por segundos, minutos, horas... não sei bem ao certo.



O resto da semana seguiu essa rotina. Amy estava aprendendo tudo muito rápido, como sempre. Meus pais pareciam cada dia mais insatisfeitos com a nova moradora da casa.
Na sexta-feira, um dos professores anunciou que uma nova menina iria entrar na nossa turma. Todos ficaram comentando uns com os outros quem seria essa nova aluna que entraria apenas nas terceira semana de aula. Eu sabia exatamente quem era e estava ao mesmo tempo em que animado por ter uma companhia como a da Amy a manhã inteira, estava um pouco preocupado de como ela reagiria com a escola... tem muita gente em muito pouco espaço.
Enfim cheguei em casa depois da aula e resolvi fazer uma coisa nova.
- Amy! – Falei logo depois do almoço. – Você sabe o que é um cinema?
- Já ouvi alguém falando há muito tempo atrás... mas não sei o que é...
- Nós iremos hoje à tarde. – Disse em meio a um sorriso. – Você precisa se acostumar a lugares com bastante gente. É um lugar onde passam filmes!
- Parece ser divertido! Assisti alguns desses filmes na televisão durante essa semana.
E continuamos a ter uma conversa casual por mais algum tempo, até que pegamos nossas bicicletas e fomos até o shopping. Ela reclamou por ter que entrar no shopping de novo, mas então disse o cinema ficava dentro daquele estabelecimento. Ela ficava bonitinha até mesmo quando estava nervosa.
Assim que entramos, ela se pendurou em minha cintura. Ainda não estava acostumada a ver outras pessoas. Quem visse a cena pensaria outra coisa. Mesmo que poderia parecer coisas erradas, é impossível resistir a retribuir o mesmo afeto. Ela precisava de proteção, pelo menos até se acostumar com lugares cheios de gente feia encarando umas as outras.
Estava gostando de levar Amy ao cinema... não me pergunte por que. É normal levar uma ex-cachorrinha de pelúcia ao cinema, tá bom?
            Assim que entramos na sala do filme, ela se sentiu mais a vontade. Era um local escuro, portanto não podia nem ver direito quantas pessoas tinham. Assistimos a um filme de comédia romântica. Ela pode entender um pouco mais de como o nosso mundo funciona, mas pude perceber que ela não sabia nada sobre relações com outras pessoas. Ela permanecia com um ar de curiosidade quando o casal se relacionava, mas parecia achar aquilo normal.
            - Podemos fazer igual a aquelas duas pessoas do filme? – Ela perguntou com naturalidade.
            - Ahn... – Fui pego totalmente desprevenido. – Acho que qualquer pessoa que sentir uma coisa especial desse tipo por outra... e vice-versa... podem se beijar e essas coisas...
            - Eu acho que sinto essa coisa especial por você, Ryu.
            “O que? Ela? A minha ex-cachorrinha de pelúcia diz esse tipo de coisa pra mim? E com a maior naturalidade? O que eu faço? Ela é...”
            Não pude terminar minha linha de pensamento. Fui interrompido pelo seu risinho.
            - Sua cara tá estranha Ryu. – Falou com um sorriso. – Não há problema em dizer esse tipo de coisa, né?
            - Ah... bom... acho que não... – Falei totalmente hesitante. – Na verdade fico feliz em saber.
            Ela pareceu se iluminar. Mas eu não poderia dizer mais nada... não por enquanto. Nem sei o que dizer, na verdade.
            Depois que saímos do shopping ela parecia muito mais solta para andar em lugares com mais gente. Ela parecia ter descoberto alguma coisa nova... Será que tinha a ver com filme?
            Logo chegamos em casa e continuamos a estudar. O resto do final de semana foi assim. Não me importo em estudar a semana inteira e ainda ter que rever conteúdos que eu já estudei a muito tempo atrás. Gosto de ver Amy aprendendo sobre o nosso mundo.
            Era domingo a noite, o dia anterior ao primeiro dia de aula da Amy, quando ao invés de ela dormir quase instantaneamente, ela ficou me encarando, com o rosto muito próximo ao meu.
            - Você está nervosa pra amanhã? – Falei em um tom baixo.
            - Um pouco... mas você vai estar lá, não vai?
            - Com certeza! Quero estar por perto o tempo inteiro.
            - Obrigada. – Amy disse sorrindo. – Fico mais tranquila assim.
            Beijei sua bochecha e ela ficou espantada com a atitude. Depois de ver aquele filme no cinema, parece que ela começou a interpretar certas ações de jeitos diferentes. Fico feliz, pois parece que ela interpretou a minha do jeito que tinha que ser interpretada. O espanto foi substituído por um olhar caloroso.
            - Boa noite Ryu.
            Amanhã seria o primeiro dia de aula para Amy. Não era só ela que estava ansiosa para isso...